Viajantes

teste
Foto por Porapak Apichodilok em Pexels.com

Há quem troque de carro com certa frequência, mas nunca tenha considerado a hipótese de sair dos arredores da cidade. Por outro lado, há quem goste tanto de viajar que o faça de carro velho, de ônibus ou até mesmo de carona, carregando uma mochila pesada nas costas. Há quem se hospede em hotéis caros ou prefira economizar dividindo o quarto e o banheiro de um hostel com estranhos. Há quem viaje sozinho, há quem não dispense companhia.

Há quem aguarde o final de ano, há quem aproveite cada feriado para cair na estrada. Há quem se intimide com o congestionamento, há quem tenha medo de avião. Há quem viaje com um bom livro, há quem durma durante o trajeto, há quem prefira a paisagem que se apresenta a cada nova curva do caminho.

Há quem viaje de primeira classe, mas não aprecie o vizinho da poltrona ao lado. Há quem descubra pessoas interessantíssimas num voo doméstico ou numa viagem de ônibus pelas rodovias do interior do seu estado. Há quem encontre abrigo, pouso e chuveiro enquanto aguarda conexão, mas há quem durma no chão frio do aeroporto de um país distante. Há quem receba ajuda de pessoas gentis, mas há quem recuse trocar de poltrona impedindo que casais apaixonados cochilem no ombro um do outro.

Tem aqueles que mergulham na cultura local experimentando iguarias e aqueles que louvam a globalização e a possibilidade de comer um Big Mac do outro lado do planeta. Há quem se divirta com os coloquialismos linguísticos de um povoado e enriqueça o vocabulário. Existe quem viaje buscando aprimorar um novo idioma, mas há quem padeça para entender o cardápio escrito em língua estrangeira.

Há quem procure exilar a alma durante uma viagem e quem procure agitação todas as noites. Existe quem deseje libertar-se da rotina e do modo automático e saia sem horário e dia certo pra voltar, mas há quem planeje cada minuto do passeio muito antes da partida. Existe quem procure aprender história e geografia ou admirar toda arte e beleza de onde está, mas existe quem passe longe de museus e da história local alegrando-se com um quarto de hotel com TV a cabo, ar condicionado e um chuveiro quente.

Há quem gaste muito. Há quem gaste pouco. Depende do destino da viagem e do que se busca num passeio. Desafio e aventura ou paz e tranquilidade? Requinte e sofisticação? Compras ou desapego? Planejamento, descoberta ou refúgio? Não existem regras. Sua viagem é o reflexo de seu espírito. Simplesmente vá. Pode ser que você se perca, mas certamente irá se encontrar.

Deixe um comentário